Toda transformação no mundo, toda mudança, toda rebeldia, toda novidade e criatividade, tudo que realmente teve relevância na sociedade no segmento da invenção, da música, da ideia, da política, da liberdade, tecnologia, medicina... foram gerados por jovens, pelo espírito jovem.
Jovens são, na sua essência, transgressores, não só da lei, mas principalmente transgressores das regras em geral. Fale para um jovem que: “não pode ser feito”, e isso vai motivá-lo a fazer. Porque o impossível não existe para os jovens, a linha limite entre o que pode e o que não pode ser feito, definitivamente não é relevante para quem tem um espírito jovem.
Uma palavra que eu gosto de usar para definir o Evangelho é “SUBVERSÃO”. É como se algo viesse por baixo, na contra mão de tudo, e em algum momento se levantasse e virasse a mesa!
O dicionário define “subversão” do seguinte modo: Ato ou efeito de subverter(-se). - Insubordinação às leis ou às autoridades constituídas; revolta contra elas - Destruição, transformação da ordem política, social e econômica estabelecida; revolução.
No caso do Evangelho há uma transformação das Leis de Deus e dos métodos dos homens. Enquanto a religião fala que só alguns são especiais e têm poderes do alto, o Evangelho fala que TODOS são especiais, que não é o “poder” de um homem que faz a diferença, mas o poder de Deus.

Gosto especialmente da palavra “revolução” associada ao Evangelho de Cristo. Essa palavra é JOVEM e forte! Gera mudança; não é conformista nem tímida, nem tão pouco medrosa. Revolução é contagiante, envolvente, quente e perfeita para definir o Evangelho para jovens!
É tão louco isso, chega a ser diferente de tudo! A REVOLUÇÃO causada pelo Evangelho não pega em armas, não agride, não é violenta, não causa morte nem amputações, não ofende ninguém... a não ser os religiosos fariseus; a revolução do Evangelho gera VIDA, perdão, amor, amizade, carinho, compaixão e mudança de atitude. O mundo e as antigas leis de Deus diziam: “Olho por olho, dente por dente” Jesus diz: “Perdoa os teus inimigos e aqueles que te ofendem, quando te agredirem, dá a outra face Não faça para os outros o que você não quer para você mesmo Jamais se considere superior a ninguém, mas seja o último, ajude a todos e não retribua o mal com mal, mas retribua o mal com o bem...”
O Evangelho revoluciona a própria palavra “revolução”. Onde esperávamos guerras e subversão, encontramos paz e harmonia numa revolução de amor. E essa “transgressão” faz do Evangelho o que ele é hoje, um elemento contraditório, contra a maré. Ele não é apenas CONTRA a sociedade capitalista, mas ele é especialmente CONTRA aqueles que querem ser os donos de Deus e se dizem superiores aos outros por isso.
Uma palavra que define a juventude é “transgredir”. No entanto, como definir a juventude? O que é um jovem? Como podemos definir quem é jovem ou não?
A princípio a idade define a juventude, mas isso não é tudo, porque o fato é “amadurecimento”, que é diferente para cada pessoa. Alguns são maduros aos 20 anos, outros são imaturos aos 50.
A tenra idade, que diz que a pessoa é moça, que está na idade juvenil, por hora define a sua juventude, mas não o seu espírito livre. Porque não há ninguém mais livre no mundo do que os jovens. Eles não se permitem prender a nada nem a ninguém, querem um amor pra toda vida, mas preferem chamar isso de sexo casual; querem um governo que lhes dê tudo, principalmente liberdade; querem uma faculdade que lhes dê bons relacionamentos, porque eles acham que conhecem tudo; querem um emprego que lhes dê dinheiro, mas não os obrigue a chegar no horário todos os dia.
Ninguém consegue chamar um homem de 78 anos de jovem, mas é assim que a juventude é. Ela é interna, transgressora, e por essa rebeldia nata, não se permite definir por algo tão desimportante quanto a idade.
Um homem de 78 anos de idade, foi chamado à se definir em palavras, e suas palavras foram estas:
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu...
Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
Mário Quintana, um jovem de 78 anos.
Num pequeno poema de Martha Medeiros, a gente pode ver o espírito jovem em uma mulher madura.
Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura
Martha Medeiros
Basta, para ser jovem, sentir-se desconfortável com algumas situações que a vida lhe apresenta. Um “desconforto” que vai além da insatisfação, a vontade de mudar o mundo, a começar por mim. Isso se chama Evangelho, um desconforto chamado Evangelho para jovens.
O Evangelho é assim, feito para jovens que não querem os métodos antigos, não apenas jovens de pouca idade, mas para os jovens de espírito, que não são limitados pelas grades das prisões religiosas. O Evangelho é para jovens, só para jovens. Inclusive para jovens com mais de 78 anos.
Paz em todos
Sóli
7 comentários:
Lindo!! Como quem escreveu.
Bj ;)
Ai, Porcaria, gostei ainda mais desse que do outro.
Adoro essas palavras...subversão, revolução, transgressão.
Adoro o Evangelho, Mario Quintana e a poesia. Adoro Cristo e sua eterna juventude.
Lembrei de uma música do Lucas Souza, que diz assim: "Reivindicamos revolução...Além da paixão, Além da canção(...) Revolução do amor, Revolução de Jesus." Pra mim, Cristo é a própria Revolução do Amor de Deus.
Muito se fala nos "cristãos subversivos", mas acho que essa ideia ainda está no caminho de ser entendida. Em uma dessas "discussões" via twitter, uma vez um amigo, a quem respeito muito, tanto gestos, qto palavras, "largou" essa: "Subversão não é falar palavrão, discordar de tudo e entupir o twitter de coisas atacando a igreja institucional. Subversão é outra coisa. Ame, e aí, palavrão, discordância e posicionamento crítico contra os desmandos sociais e religiosos farão sentido. Subverta amando." Essas palavras são do Laion Monteiro e não pude deixar de lembrar e compartilhar aqui.
Um beijo e que continues subvertendo, amando e escrevendo, claro.
Eis a palavra-chave: desconforto.
Esse desconforto, esse incômodo, essa vontade de levantar-se da cadeira. Pois quando a letargia 'reina' tudo enrijece e surge junto com ela uma série de doenças psicológicas e emocionais que batem 'dicunforça' no nosso corpo. É quando a alma começa a envelhecer e morrer precocemente enquanto bate um teimoso e quase inerte coração.
E só uma revolução constante nos nossos conceitos - por meio do Evangelho - nos faz permanecer, de fato, VIVOS.
Sou uma apaixonada por textos assim que impulsionam as pessoas religiosas a desconstruírem aquela imagem rígida de um PAI que só quer renovação, reconciliação, enfim VIDA com sentido. Ora, rigidez é sinônimo de morte. E Jesus é flexível e inovador.
Vim aqui por indicação do meu amigo Renê que não erra uma! rss
Valeu!
Rê.
Sóli,
Gostaria de 'copiar' trechos deste texto lá no meu blog, pode ser? Claro que linkado...
Aguardo um sinal de fumaça. :)
Abs,
R.
Claro Regina, fique à vontade para publicar as postagens do Buscai o Reino.
Grande abraço
Sóli
Palavras perfeitas ,em um contexto maravilhoso e os JOVENS como eu são realmente assim tem está ''insatisfação, e vontade de mudar o mundo,e principalmente a mim,um desconforto chamado Evangelho e essencial...
Beijos (:
Sóli, este texto também é maravilhoso lindo e tocante, fala conosco, fala ao coração.
sabe aos poucos venho aqui e vou copiando particulas destas "graças" e espalhando pelo face com seu endereço para que novas pessoas possam vir aqui e encantar-se com o seu agradável espaço.
Que o Paizinho continue lhe abençoando.
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